sábado, 2 de junho de 2012

ROSTO AO AVESSO

Não estou maquiado como as meninas
Mas ao avesso, rotas marcas pelo rosto
Inteiramente fermentado como o mosto
Recebendo o mundo todo escuro à retina

Joguei as canetas e desfiz todos os pactos
Nem a palavra dou ou a recebo entre pares
Vou pelo mundo como se navegasse mares
Fugindo às paragens, onde há apenas cactos

Ao longe, a flor, toda cercada de espinhos
Aos meus olhos já não dá muitos encantos
Navego introspecto, mas atento_ nem canto

Estou convicto e sem ilusão neste caminho
Sóbrio, impassível, antevendo as intenções
Sigo sem pressa, submetendo as emoções

Elói Alves

8 comentários:

  1. Que desencanto o toma de repente... que já não vês na flor o seu encanto? Essas passadas lentas, o desatino o pode transformar em andarilho!
    Beijos!
    AMEI!

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  2. Como sabe, e muito, amiga, não sou, quando digo, são várias subjetividades rsrsr; gratíssimo, bjos, amiga!

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  3. Como sabes, e muito, amigo, interagi com seu soneto e da mesma forma, não sou, quando digo! rs

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  4. Ei vocês dois!
    Vão colocar Fernando Pessoa doente com suas andanças entre pessoas que habitam vocês dopis!
    Amei Eloi.
    Muito lindo memso.
    Faz a gente imaginar outros sentimentos e desistir da pressa e acompanhá-lo nas tais andanças!
    Beijos aos dois
    Elisabeth Lorena Alves

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    1. Oi, Beth; grato pela leitura e por sua análise; ótimo lembrar o Pessoa, incrível poeta de nossa língua, ele "um fingidor"; bjos gratos

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  5. Deu saudades de quando eu era gente... Agora, universitária que sou, pouco tempo tenho para revisitar as idas e vindas dos muitos "eus"que habitam os amigos poetas e contadores de histórias...
    Beijos Ira e Eloi.

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    1. Muito grato, Beth; sei bem, mas a formação vale muito; bjos gratos

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