segunda-feira, 16 de junho de 2014

PANACEIA DE CINZAS


Há uma convulsão nervosa que sobe da terra

As energias gastam-se como fumaça espessa

As emoções assentam-se como pó

Espalham-se ao chão rastros iguais a víboras

A dissipação se incha como epidemia

Os homens no centro da confusão



Uma voz cansada balbucia um “que pena!”

Como elogio fúnebre que não chega à lamentação

E no subsolo gemidos espremidos abortam-se

Dores diluídas na taça da desilusão



Compõe-se ao fim uma panaceia

Como desejo último de emersão

Caldo sulfúreo em que se diluem cinzas

Dos seres que se desmancham no reino da confusão
 
Elói Alves
 
 
Primeiro capítulo do romance As pílulas do santo Cristo:


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