domingo, 27 de novembro de 2016

PREFÁCIO PARA O LIVRO "CONTOS E CAUSOS NOTARIAIS", DO JURISTA ARTHUR DEL GUÉRCIO

         No dia 7 de dezembro, quarta feira, foi lançado em São Paulo o livro Contos e Causos Notariais, de autoria do Jurista, Professor e Tabelião Arthur Del Guércio Neto; abaixo segue o prefácio que escrevi para a obra a convite do Doutor Arthur, por cujo prazer e honra lhe sou muito grato.




Prefácio de  Contos e Causos Notariais, de Arthur Del Guércio Neto



O presente livro, do escritor, jurista e tabelião Arthur Del Guércio Neto, proporciona ao leitor duas características autorais historicamente pouco conciliáveis no Brasil, a saber, a do jurista e aquela própria do cronista. No Brasil aparecem de maneira abundante, ao longo de sua história, cronistas excepcionais como um Fernando Sabino, um Paulo Mendes Campos, um Lima Barreto e seu contemporâneo Machado de Assis. Entre os juristas não deixam de jorrar exemplos de expoentes como um Miguel Reale, próximo a nós, e Teixeira de Freitas, para lembrar o cognominado “jurisconsulto do império”, no século XIX, entre tantos outros.

A crônica é um gênero narrativo de pouca extensão, familiar ao conto e ao causo, em muitos casos esses gêneros textuais são limítrofes e se confundem. A crônica surgiu como texto de jornal no século XIX, onde a narrativa aparentemente simples se desenvolve a partir e em torno de algum acontecimento do cotidiano, de uma notícia do dia anterior, simples e até aparentemente banal. O conto surge quando a narrativa se torna mais complexa, quando seu enredo alcança maior densidade e o causo, por sua vez, caracteriza-se como pequenina narrativa, singela, anedótica e caricatural, cuja pretensão única é fazer rir, um riso, por assim dizer, despretensioso.

A característica fundamental dessas narrativas é a arte de contar; a literatura jamais teve um conteúdo fixo ou matéria específica, conta tudo o que diz respeito ou interessa ao homem. Neste livro a matéria é o Direito ou os serviços prestados às pessoas por esse profissional do Direito, o Tabelião, num modo peculiar de contar, simples e rico, que informa ao leitor, com o teor jurídico, e o agrada com sua arte. Justamente aqui se encontra outra característica primordial deste profissional notarial de cuja obra falamos, que é sua  a paixão de informar, de levar à população o conhecimento dos serviços de que pode dispor junto ao Tabelião, com absoluta segurança jurídica.

Os textos aqui reunidos surgiram, em sua maioria, no jornal O diário do Tietê, com intuito de levar ao público geral informações sobre os serviços notariais. Ao lê-los, já de início, encantei-me, como amante da arte de contar, com o potencial narrativo do doutor, coisa pouco peculiar entre os juristas, sobretudo devido ao rigor conceitual da Ciência Jurídica, e mais comum em obras literárias. O ápice aparece em textos como “A senhora namoradeira”, em que os temas do Direito, ligados aos serviços rotineiros do Tabelião, como o testamento, se permitem a companhia das liberdades poéticas, da construção literária em alto nível e do tão saboroso humor, objeto de geniais autores da literatura em praticamente toda língua.

Em Contos e causos Notariais, o leitor encontrará, portanto, o conhecimento e a utilidade dos serviços jurídicos de um Tabelião ofertados à população, com segurança da lei e a objetividade dessa ciência, entrelaçados em textos de saborosa arte literária, junto à qual se, também, um notável e leve aspecto sapiencial, uma sabedoria que se dilui na experiência pessoal e humana do profissional, na arte de ouvir e no poder da reflexão, encontrados na obra que nos dá, como presente, o doutor Arthur.

Boa leitura!
Elói Alves 

2 comentários:

  1. Gentil comentário de Marilene Ribeiro (pelo Face), à qual sou muito grato: "Ninguém nunca,jamais poderia ler um livro,sem antes ler o seu prefácio, seria como degustar um prato desconhecido podendo já ,previamente ,experimentar em pequena dose daquilo que vai ter como um banquete! O autor foi feliz na escolha para fazer o prefácio de Contos e Causos Notariais, que aula! Que riqueza de detalhes daquele que o leitor terá em mãos! Parabéns"

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  2. Comentário da amiga Adriana Rodrigues (pelo Face) pelo qual a agradeço muitíssimo: "Como sempre ficou perfeito. O leitor tem uma aula pelo prefácio, aliás que aula. Não poderia ter feito escolha melhor. Minha admiração pelo seu trabalho.Grata sempre pelo seus textos"

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